Ronco e apneia do sono: por que o dentista faz parte do cuidado

Ronco alto, pausas na respiração e cansaço durante o dia podem ser sinais de apneia obstrutiva do sono. Entenda o que acontece à noite, por que levar a sério e onde entra o dentista.
Ilustração: lua com símbolos de ronco

O ronco costuma virar piada de família. “Parece um trator”, alguém diz no café da manhã, e todo mundo ri. Mas quando o ronco vem acompanhado de silêncio, aquele intervalo em que a respiração simplesmente para por alguns segundos, a conversa muda de tom.

Esse silêncio pode ser sinal de apneia obstrutiva do sono, uma condição comum, muitas vezes não diagnosticada, que afeta a qualidade do descanso e, com o tempo, a saúde como um todo. E, ao contrário do que muita gente imagina, o dentista pode ter um papel importante nesse cuidado.

Ilustração: casal na cama, um deles roncando
Quem percebe primeiro

Quase sempre é quem dorme ao lado que nota

A apneia acontece durante o sono, então quem tem raramente percebe. O relato costuma vir de outra pessoa: o ronco alto e constante, as pausas na respiração, o engasgo seguido de um ronco mais forte, como se o corpo precisasse recuperar o ar.

Quem tem apneia, por sua vez, sente as consequências durante o dia: sonolência mesmo depois de uma noite inteira na cama, dificuldade de concentração, irritabilidade, dor de cabeça ao acordar. Muita gente atribui tudo isso à rotina corrida, sem imaginar que o problema está na forma como respira à noite.

Ilustração: via aérea aberta e via aérea estreitada
O que acontece na garganta

Quando a passagem do ar se fecha

Durante o sono, os músculos relaxam, inclusive os da garganta. Em algumas pessoas, esse relaxamento faz a via aérea se estreitar ou se fechar por alguns segundos. O ar não passa, o oxigênio no sangue cai e o cérebro provoca um microdespertar para que a respiração volte.

Isso pode se repetir muitas vezes por hora. A pessoa não chega a acordar de verdade, mas o sono fica fragmentado, superficial e pouco reparador. É por isso que dá para dormir oito horas e acordar exausto.

Ilustração: coração e medidor de pressão
Por que levar a sério

Um problema que vai além do cansaço

Quando não é tratada, a apneia obstrutiva está associada a pressão alta, arritmias e outros problemas cardiovasculares, além de aumentar o risco de acidentes por sonolência, no trânsito e no trabalho.

Alguns fatores aumentam as chances: excesso de peso, idade, consumo de álcool e sedativos e características da anatomia da garganta e da mandíbula. Nas mulheres, o risco cresce depois da menopausa, uma fase em que muitas começam a roncar ou a dormir pior sem entender o porquê.

Sinais para prestar atenção

  • Ronco alto e frequente
  • Pausas na respiração percebidas por quem dorme ao lado
  • Acordar engasgado ou com sensação de falta de ar
  • Sonolência e cansaço durante o dia, mesmo depois de uma noite inteira na cama
  • Dor de cabeça pela manhã
  • Dificuldade de concentração e irritabilidade
Ilustração: estetoscópio e dente, trabalho conjunto
Diagnóstico e tratamento

Médico e dentista, cada um na sua parte

O diagnóstico da apneia é feito pelo médico, a partir da avaliação clínica e de um exame do sono, a polissonografia. É ela que mostra quantas vezes a respiração é interrompida por hora e qual a gravidade do quadro.

O tratamento depende dessa gravidade. Nos casos moderados e graves, a principal referência é o CPAP, um aparelho que mantém a via aérea aberta com pressão de ar. E existe uma alternativa em que o dentista entra diretamente: os aparelhos intraorais de avanço mandibular.

Ilustração: aparelho de avanço mandibular
Onde entra a odontologia do sono

O aparelho que reposiciona a mandíbula

Os aparelhos intraorais posicionam a mandíbula um pouco mais para a frente durante o sono, o que ajuda a manter a passagem de ar mais livre. Diretrizes internacionais reconhecem essa opção para o ronco primário e para pessoas com apneia que não se adaptam ao CPAP ou preferem outra alternativa, sempre a partir da indicação médica.

Para funcionar bem, o aparelho precisa ser feito sob medida e ajustado aos poucos por um dentista com formação em odontologia do sono. Esse profissional também acompanha os dentes e a articulação ao longo do uso, e um novo exame do sono ajuda a confirmar se a resposta está adequada.

Ronco não é só barulho. Às vezes, é o corpo pedindo ar.

O que levar deste texto

O ronco alto e frequente, principalmente quando vem com pausas na respiração e cansaço durante o dia, merece investigação. Não é frescura nem exagero: é cuidado com o sono, com o coração e com a qualidade de vida. E esse cuidado funciona melhor quando médico e dentista trabalham juntos.

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Ronco em casa? Comece conversando sobre o seu sono.

A Dra. Telma de Carvalho Penazzi é cirurgiã-dentista com pós-graduação em odontologia do sono. Na consulta, ela avalia os sinais, orienta os próximos passos e, quando indicado, trabalha em conjunto com o médico do sono.

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Este conteúdo é informativo e não substitui uma consulta. Cada caso precisa de avaliação individual.

Sobre a autora

Dra. Telma de Carvalho Penazzi

Cirurgiã-dentista (CROSP 68710), formada pela FOUSP, com pós-graduação em odontologia do sono, fitoterapia e saúde salivar. Atende em Itatiba/SP e por teleodontologia.

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